domingo, 8 de agosto de 2010

O banco do Jardim

Havia sombra dos arvoredos,
Um banco no jardim.
Aquele banco público,
Que a todos fazia bem.

Feito de mármore
Cercado de flores,
Servia de testemunha,
De segredos e amores.

Era amigo da gente,
Nunca revelou segredo algum.
Ele era inocente,
Houve um persistente,
Em figura de gente,
Que resolveu lhe quebrar.

A cidade apavorada,
Com o ato de depravação,
Convocou seus habitantes.
Para uma investigação.

Dispensaram-se as criaturas humanas
E também os animais
Quebrar o patrimônio público
Não é ato de um ser
Que tenha coração.

Negara a mão

O que é para você
Um aperto de mão?
Para mim é a amizade,
Apoio, amor,
Reconciliação.
É um “conte comigo”.
Símbolo de valorização.

Tudo ainda
Pode ter solução
Enquanto
Não for negada a mão.
Um gesto singelo,
Cheio de valor.
Cicatriza uma ferida,
Sarando a dor.

Estender a mão
É um ato de bravura
Que enriquece a criatura
Num ato de comunhão,
Que faz continuar
Com uso da razão.

Os suicidas

Se os suicidas voltassem à vida,
Não mais se suicidariam,
Pois saberiam,mesmo com desgosto,
O quanto a vida valia.

Se é pela própria vida
Que lutamos contra tudo e contra todos,
Como tentar destruí-la,
Se ela é o nosso único tesouro.

A vida tem um sentido
Que precisamos meditar.
Mesmo que os prazeres terminarem,
A vida tem que continuar.

Para provar que é tentação
De querer a vida nos roubar,
Só os homens se suicidam,
Nunca vi animal se suicidar.

Devolução

Tudo que temos é emprestado,
Por isso devemos ter muito cuidado
Para usar só até quando for necessário.

No dia da devolução
Devolvemos até o coração,
Que chamamos de “meu cofre de segredos”.
Não é dia de tristeza,
Vamos contemplar a infinita beleza
Que soubemos conquistar.

Em ato de agradecimento,
Todo nosso sentimento vamos expressar.
Entregaremos ao verdadeiro dono,
Mas não ficamos no abandono.

Uma propriedade nova vamos ganhar,
É a recompensa dos justos,
E Deus sua promessa cumprirá.

O gago

O gago é inteligente.
Enquanto ele gagueja,
Planeja o que vai falar.

Não tem inveja
De quem não gagueja,
Fica pensando e gaguejando.

Todos os gagos
São persistentes,
Tem sensação diferente
O seu pronunciar.

Ele ama a voz
Mais do que nós,
Que falamos livremente
Pois ele sabe o trabalho
Que dá para falar.

Quando falta inspiração

O poeta entristeceu-se.
O que foi que aconteceu?
Quando o poeta fica triste,
Foi a inspiração que perdeu.

Quando o poeta perde a inspiração,
Fica sem alma e sem vida.
Anda a esmo, como um autômato,
Com as faces contraídas.

Tudo enfim perde o encanto.
As flores não mais viçam,
A lua e as estrelas se apagam,
Até o mar perde sua pulsação,

Modifica sua figura
E inspira compaixão.
Sente-se sego e aleijado
Quando perde a inspiração.

Espirito Adormecido

Ó espírito adormecido,
Acordai para ver
O que te foi oferecido.

Passei o tempo todo dormindo,
Vivi sem viver, adormeci,
Mas não sonhei.
Comi, más não saboreei.

Andei em sentido contrário,
Não admirei o cenário
Que a natureza ornamentou.
Más agora que estou acordado,
Fico imaginando o passado
Que meus olhos não viram.

A vida é bela e risonha
Se a gente tiver um ideal.
Procure fazer o bem,
Mesmo a quem lhe quer mal.

A gente fica olhando a vida,
Sente muita vontade de amar.
Não durma como eu,
Trate logo de acordar,
Pois a vida não é longa.
Comece logo a amar.